Energia Solar 19/02/2026

Fator de simultaneidade: o que é e como aplicar em sistemas solares

Técnico instalando painel solar em telhado de sistema solar fotovoltaico durante o nascer do sol, ilustrando o conceito de fator de simultaneidade em sistemas solares.

O fator de simultaneidade indica quanto da energia elétrica disponível em um imóvel é utilizada ao mesmo tempo no dia a dia. Em projetos de energia solar, ele é essencial não apenas para o dimensionamento técnico, mas também para entender o retorno financeiro do sistema, especialmente após as mudanças trazidas pela Lei 14.300.

Em sistemas solares, ele ajuda a entender o comportamento do consumo ao longo do dia e orienta decisões mais precisas no dimensionamento do projeto fotovoltaico, considerando o funcionamento da energia solar e a forma como a geração acontece ao longo do dia.

Na prática, esse fator evita superdimensionamento (ou subdimensionamento), melhora a eficiência do sistema e contribui para um aproveitamento mais equilibrado da energia gerada.

Como o fator de simultaneidade é usado na energia solar?

No dia a dia de um projeto solar, o fator de simultaneidade ajuda a responder uma pergunta direta: quanta energia é usada ao mesmo tempo? Nem tudo é ligado ao mesmo tempo, e ignorar isso costuma levar a erros no dimensionamento.

Em uma casa, por exemplo, chuveiro, micro-ondas, máquina de lavar e ar-condicionado existem no mesmo local, mas raramente funcionam todos ao mesmo tempo. 

Ao considerar esse uso real, o sistema fotovoltaico fica mais equilibrado, sem excesso de placas solares e sem investimento desnecessário. Afinal, investir em uma capacidade que raramente é utilizada não é financeiramente eficiente.

Em comércios e pequenas indústrias, a lógica é parecida. Um restaurante tem muitos equipamentos, mas vários entram em operação em horários diferentes. Quando bem aplicado, o sistema atende o consumo real e mantém um bom equilíbrio entre eficiência técnica e retorno financeiro.

Como é calculado o fator de simultaneidade?

O cálculo do fator de simultaneidade é direto e ajuda muito no dimensionamento.

A fórmula é simples: fator de simultaneidade é igual à demanda utilizada ao mesmo tempo dividida pela carga total instalada. Em termos práticos, compara o que realmente funciona com tudo o que poderia funcionar.

Para o cálculo preciso do fator de simultaneidade, o processo costuma seguir alguns passos: primeiro, soma-se a potência de todos os equipamentos do local, como chuveiros, sistemas de climatização e máquinas. Em seguida, identifica-se quais deles costumam operar simultaneamente.

A fórmula utilizada é:

  • Fator de simultaneidade (Fs) = demanda máxima simultânea ÷ carga total instalada.

Veja um exemplo aplicado a uma residência com características diferentes.

  • Carga total instalada: 10 kW;
  • Demanda simultânea máxima estimada: 6 kW.

Nesse cenário:

  • Fs = 6 ÷ 10 = 0,6.

Isso indica que, ao analisar o perfil de consumo, é possível considerar que apenas 60% da carga instalada tende a operar simultaneamente.

Essa informação ajuda a orientar o dimensionamento do sistema fotovoltaico, alinhando a curva de consumo à geração ao longo do dia e evitando investimentos desnecessários em capacidade excedente.

Agora, observe um exemplo em um ambiente comercial.

  • Carga total instalada: 25 kW;
  • Demanda simultânea máxima: 18 kW.

O cálculo fica:

  • Fs = 18 ÷ 25 = 0,72.

Nesse tipo de operação, o uso simultâneo de equipamentos costuma ser maior ao longo do horário de funcionamento, o que resulta em um fator de simultaneidade mais elevado.

Valores do fator de simultaneidade

Os valores do fator de simultaneidade variam conforme o tipo de instalação e a forma como a energia é usada no dia a dia, além dos diferentes tipos de energia solar que podem ser implementados em cada projeto. Não existe um número único que sirva para todo mundo.

Em residências, o fator costuma ficar entre 0,4 e 0,6, segundo práticas comuns de dimensionamento adotadas por projetistas e integradores do setor, já que a maioria dos equipamentos opera de forma intermitente.

No comércio, esse índice geralmente varia entre 0,6 e 0,8, pois iluminação, climatização e sistemas operacionais permanecem ligados durante todo o expediente.

Já em ambientes industriais, o fator pode se aproximar de 1 quando há processos contínuos, com máquinas operando simultaneamente ao longo do dia.

Mudou o horário de funcionamento? Entrou equipamento novo? O fator acompanha essas mudanças. Por isso, analisar hábitos reais sempre traz resultados mais próximos da realidade.

Qual o impacto da lei 14.300 no fator de simultaneidade?

A Lei 14.300 alterou a forma como a geração distribuída de energia solar se relaciona com a rede elétrica, especialmente para novos sistemas conectados após os marcos regulatórios. Antes da lei, o modelo era baseado na compensação integral da energia injetada: toda a energia excedente virava crédito e era abatida diretamente da conta de luz.

Com as novas regras, essa dinâmica mudou. Parte da energia enviada à rede passou a sofrer a incidência gradual de encargos de uso da rede, como a parcela da TUSD (Fio B), conforme o ano de conexão do sistema. Na prática, volumes mais elevados de energia injetada tendem a resultar em maior cobrança desses componentes ao longo do tempo.

Nesse contexto, o fator de simultaneidade ganhou mais relevância do ponto de vista econômico. Ao consumir a energia no mesmo momento em que ela é gerada, reduz-se a necessidade de injeção na rede e, consequentemente, a incidência de encargos.

Por isso, projetos fotovoltaicos que consideram os hábitos reais de consumo, o perfil de carga e o uso de equipamentos durante o período de geração solar tendem a apresentar melhor desempenho financeiro. Hoje, aproveitar a própria energia no momento certo é tão importante quanto a capacidade total de geração do sistema.

Como aumentar o fator de simultaneidade e fugir da taxação?

Na prática, o consumidor não “foge” da taxação, mas reduz a incidência de encargos ao diminuir a energia injetada na rede.

Para tanto, elevar o fator de simultaneidade significa consumir mais energia no mesmo momento em que ela é gerada, reduzindo a necessidade de injeção na rede e, consequentemente, a incidência de encargos tarifários. 

Algumas ações simples já trazem bons resultados, enquanto outras exigem mais planejamento.

  • Ajuste de horários de uso: priorizar o funcionamento de equipamentos durante o período de maior geração solar aumenta o consumo imediato e diminui a energia exportada para a rede;
  • Automação de cargas: o uso de timers, controladores e sistemas inteligentes permite acionar aparelhos nos horários ideais, garantindo eficiência sem depender de intervenções manuais;
  • Dimensionamento adequado do sistema: projetos alinhados ao perfil real de consumo evitam excedentes frequentes de energia e melhoram o aproveitamento da geração;
  • Sistema grid-zero (quando aplicável): impede a injeção de energia na rede e só deve ser adotado em situações muito específicas, respeitando as regras da concessionária e as limitações técnicas do sistema, já que pode resultar em perda de geração e não costuma ser a solução mais eficiente na maioria dos projetos;
  • Eficiência energética: substituir equipamentos antigos por modelos mais eficientes reduz picos de consumo fora do horário de geração e contribui para um melhor equilíbrio entre produção e uso da energia.

Qual a diferença entre fator de simultaneidade e fator de demanda?

O fator de simultaneidade mostra quanto dos equipamentos funcionam ao mesmo tempo. Ele olha para o uso real no dia a dia. Já o fator de demanda foca no maior pico registrado em relação à carga instalada total.

Em uma casa, o fator de simultaneidade ajuda a entender hábitos. Em uma indústria, o fator de demanda orienta contratos e custos com a distribuidora. Imagine que a indústria tenha:

  • carga total instalada de 120 kW;
  • demanda máxima registrada de 78 kW.

Cálculo:

  • Fd = 78 ÷ 120 = 0,65.

Isso mostra que, mesmo em ambientes industriais, nem toda a carga instalada é utilizada ao mesmo tempo, o que reforça a importância de um dimensionamento adequado.

Um observa comportamento, enquanto o outro mede pico. Cada um entra no projeto no momento certo.

Impacto do fator de simultaneidade no payback de energia solar

O fator de simultaneidade tem impacto direto no tempo de retorno de um sistema fotovoltaico. Quanto maior for o consumo de energia no próprio momento da geração, maior é a economia efetiva na conta de luz — e mais rápido o investimento se paga.

Considere dois sistemas solares idênticos, ambos com potencial de gerar uma economia bruta de R$ 400 por mês. No primeiro caso, o consumo durante o período de geração é alto, permitindo o aproveitamento imediato de cerca de R$ 360. No segundo, apenas R$ 240 são consumidos na hora, e o restante é injetado na rede.

Com a vigência da Lei 14.300, a energia excedente enviada à rede passa a sofrer a incidência de encargos, como o Fio B, o que reduz o valor dos créditos compensados. Na prática, isso significa que o sistema com maior simultaneidade gera uma economia líquida mensal maior e, consequentemente, apresenta um payback mais curto.

Em projetos financiados de energia solar, essa diferença se torna ainda mais relevante, pois a redução da economia mensal pode estender o prazo de retorno. Para melhorar o desempenho financeiro do sistema, vale investir no ajuste de horários de uso e na automação de cargas, sempre considerando custo, perfil de consumo e viabilidade técnica.

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Depois de entender o consumo e o fator de simultaneidade, o próximo passo fica mais simples. O financiamento certo transforma o projeto em algo possível agora, sem esperar anos para começar a economizar.

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Ana Paula Rubino

Coordenadora de Marketing

Atua no marketing da Sol Agora, com foco em estratégias para o mercado de energia solar. Possui conhecimento em financiamento solar, modelos de viabilidade econômica para projetos fotovoltaicos e regulamentação do setor. Trabalha na comunicação de soluções de geração distribuída, sistemas on-grid e off-grid, além de apoiar iniciativas de democratização da energia renovável no Brasil.

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